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Maio de 2010, o que mudou nesses 50 anos de pílula anticoncepcional!
29 de maio de 2010 por ongsaber

Hoje, 100 milhões de mulheres no mundo e 9 milhões de mulheres no Brasil utilizam a pílula como método contraceptivo. São 50 anos de existência desse medicamento que modificou definitivamente a vida da mulher e o papel da mulher na sociedade. Chamada simplesmente de pílula, o contraceptivo em comprimido revolucionou o universo feminino partir da metade do século XX.  A mulher passou a ter a possibilidade de escolha sobre quando e se quer a maternidade o que desencadeou uma verdadeira revolução na sexualidade feminina, na visão de mundo das mulheres e na inclusão da mulher no mercado de trabalho, antes aberto irrestritamente apenas para os homens.

Essa transformação estabeleceu novas formas de relacionamento entre homens e mulheres, pais e filhas, irmãos e irmãs, e as mulheres passaram a participar da vida social como cidadãs plenas e não mais como esposa, filha ou irmã de algum cidadão. Até o surgimento da pílula as mulheres tinham definidas suas vidas desde o nascimento. Independente de habilidades ou vocações pessoais, às mulheres era destinado um papel social exclusivo na menor unidade da sociedade, a família, eram tão somente responsáveis pela procriação, desenvolvimento e educação da prole e pelos cuidados com a casa e o marido.

 

Só com o poder de decisão sobre a maternidade a mulher pode redefinir seu lugar na sociedade e assumir sua sexualidade. De passivas e dependentes das necessidades sexuais dos maridos, as mulheres foram assumindo posturas mais ativas, buscando mais informações e passando a considerar o prazer e realização sexual como necessária e até indispensável à felicidade conjugal. É impossível definir quantas mulheres ainda consideram relevante a virgindade até o casamento. Estima-se que, em média, há 10 anos a primeira relação sexual de uma jovem acontecia após o seu primeiro ano de namoro e que hoje a primeira relação do adolescente acontece nos primeiros três meses de namoro. Mas certamente o movimento que mais preocupa é o da iniciação sexual dos adolescentes cada vez mais cedo, com parceiros eventuais, e sem a proteção de preservativos e contraceptivos.  

 

Do ponto de vista da saúde, as mulheres passaram a ficar mais atentas ao próprio corpo e à saúde, fazendo visitas regulares ao ginecologista e realizando anualmente exames preventivos como a mamografia e o papanicolau. Com os novos papéis sociais e maior exposição aos riscos de uma vida mais atribulada as mulheres também se tornaram mais vulneráveis a doenças que anteriormente afetavam mais aos homens, como hipertensão arterial, cardiopatias e estresse. Mas o aspecto mais relevante desse processo, e que nos permite qualifica-lo de revolucionário, é que se olharmos para trás encontramos milênios de uma mesma função e comportamento social das mulheres e em apenas 50 anos, quanta transformação!

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